Biografia

foto pedroPedro Azevedo, nasceu no Rio de Janeiro em 1952. Ainda muito cedo contrariou as expectativas da família classe média, recusando-se a abraçar qualquer das carreiras profissionais que se lhe ofereciam. Queria ser artista! Em 1973 entra para a Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, cursa Cinema no Museu de Arte Moderna (RJ) e logo tem um filme selecionado para o 1° Festival de Cinema Ecológico de Montreal, Canadá. Em seguida, rompendo em definitivo todos os laços familiares e provincianos, viaja para Paris, França, onde viverá por 13 anos.

Em Paris, passa a militar no Movimento Trotskysta e convive com integrantes do Movimento Surrealista. Entre 1975 e 76, cursa Cinema na École Pratique d´Hautes Estudes en Sciences Sociales e, no ano seguinte, ingressa na École de Beaux Arts, classificando-se em primeiro lugar no exame de admissão. Não chega a concluir o curso, que considera demasiadamente academicista. Em 1981-82, cursa Arte do Metal no Centre de Métier d´Art de Perigny, passando a se entregar exclusivamente para a produção artística.

Nas duas décadas seguintes, realiza diversas exposições individuais e coletivas de pinturas e esculturas no Brasil e na Europa. Transita do ferro à madeira, da tela a óleo à aquarela, passando pelo grafite, com a mesma desenvoltura com que alterna a pintura à escultura e ao design de móveis.sua arte da mesma maneira que em sua vida pessoal, com total desapego às convenções. Dificilmente a crítica poderá enquadrá-lo em qualquer categoria ou corrente artística.

De volta ao Brasil, Pedro Azevedo vai morar numa favela do Rio de Janeiro, onde instala seu ateliê. Ainda impregnado pela militância política, é eleito para presidir a associação de moradores, função que desempenha com esmero até recolher-se integralmente à militância artística.

Dali, Azevedo aventura-se pelo interior do País em busca de melhor qualidade de vida. Antes de desembarcar em Joinville (SC), onde reside atualmente, Pedro Azevedo viveu três anos em uma cidade do interior paulista (Itapeva), onde lançou, em 2006, o livro “Pré-História de Pedra-Chata” juntamente com exposição de mesmo título que resgata pinturas rupestres, artefatos líticos e cerâmicos, evidenciando o patrimônio arqueológico da região. Nesta fase, avesso aos ditames do mercado formal de arte prescritos pelas galerias, pesquisa técnicas alternativas com elementos telúricos, perseguindo acima de tudo o prazer estético com requintada sutileza.

A julgar pela ótica junguiana, sua arte é visionária, perturbadora, provocativa. Rigorosa na técnica, mas eclética e misteriosa a ponto de chegar à impressão de estranheza no conteúdo. Sua essência é investigativa. Parece provir das profundezas e cada vez mais busca a experiência primordial da existência humana. Daí a sua pesquisa étnica, que se inicia com a estética indígena e mergulha no inconsciente coletivo até revelar o esplendor do numinoso.

Davidson Panis Kaseker